Pontes e travessias

Há momentos em que é preciso atravessar. A gente mesmo passar, ir em buscar, transceder até. E outros em que é necessário deixar passar, tantos os momentos quanto as outras pessoas, mesmo quando se deseja acompanhar e ter companhia na travessia.  Embora passemos aparentemente pelos mesmos caminhos e atravessemos as mesmas pontes, a viagem é diferente para cada pessoa. Cada um tem sua bagagem, seu ritmo de caminhada, sua força e fraquezas que influenciarão no modo como percorrerão o caminho. No fundo, cada um faz uma viagem/travessia dentro de si.  Pensando sobre essas coisas, lembrei de Nietzsche, em Assim falava Zaratustra.

 

“O homem é uma corda esticada entre o animal e o super-homem: uma corda por cima do abismo; perigosa travessia. Perigoso caminhar; perigoso olhar para trás, perigoso parar e tremer. O que é de grande valor no homem é o fato de ser uma ponte e não um fim; o que se pode amar no homem é ele ser uma passagem e um acabamento.”

“Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida.
– ninguém, exceto tu, só tu.
Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.”


Os eleitos por Zaratustra

 

– os que vivem intensamente, que são indiferentes aos perigos (welche nicht zu lebem wissen) porque são capazes de atravessar de um lado para outro;
– os grandes desdenhosos (der grossen Verachtenden), porque estão sempre tentando chegar a outra margem;
– aos que se sacrificam pela terra (die sich der Erde opfen);
– o curioso, o que quer conhecer (welcher erkennen will);
– quem trabalha e realiza invenções engenhosas (welcher arbeiter und erfinder);
– o que preza a sua própria virtude (sein Tugen liebt);
– aquele que distribui o seu espirito entre os demais (ganz der Geist seiner Tugend sein will);
– o que deseja viver e deixar viver (willen noch leben und nicht mehr leben);
– quem não seja exageradamente virtuosos, nem excessivamente moralista (welcher nicht zu viele Tugenden haben will);
– aquele que não fica a espera de agradecimentos ou recompensas (der nicht Dank haben will);
– o que não trapaceia (ein falscher Spieler);

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