Um encontro com a África nos USA

2013-10-18-14.52.42Ouvi muitas pessoas dizerem que ao irem aos Estados Unidos sua identidade como negro se fortaleceu. Comigo está acontecendo o mesmo. Estive em Atlanta por três dias e foi uma experiência muito forte vê uma comunidade diversa e que ao mesmo tempo forma um bloco, marca presença.  Além dos compromissos profissionais, fui a Atlanta pensando em fazer minhas tranças, mas vi tanta gente na rua com seus cabelos livres, rebeldes, enroladinhos, turbantes coloridos, black power enormes, não vi ninguém preocupado em domar seu cabelo. Resolvi usar meu tempo livre para fazer outro programa no qual estava especialmente interessada conhecer o The King Visitor Center. Escolhi fazer isso caminhando pela Auburn Avenue, que era conhecida como a rua de negros mais rica do mundo. A Doce Auburn foi uma decepção. No coração do Distrito Histórico o que vi foi abandono, calcadas esburacadas, prédios sem conservação, muitas pessoas vendendo e comprando drogas, lixo por toda a parte. Não fosse por uma obra no meio da avenida, eu diria que ali era a completa ausência do poder público. Mas, respirei fundo e tentei ver alguma coisas além do óbvio. Afinal, tinha ido lá com um propósito.

Passei por um museu de história Africana o Apex Museum, mas não entrei. Continuei andando e me deparei com um velho prédio e umas placas na parede. Era a antiga sede do Atlanta Daily World,  o primeiro jornal diário destinado a Afro-americanos no mundo, e que já foi considerado um dos mais influentes naquela parte do Estados Unidos. Li que este jornal não era um dos mais ativos na luta pelos direitos dos negros Americanos, mas contribuiu para mostrar negros uma imagem diferente da usual, a de negros criminosos das páginas policiais. Este jornal, fundado em 1928, existe até hoje, tem uma versão diária online e uma semanal impressa.

Quando cheguei no Martin Luther King, Jr., National Historic Site fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que encontrei lá, eram de diferentes partes dos USA e de outros países, diversas etnias. Percebi como a mensagem de Martin Luther King atravessou fronteiras e encontrou ressonância não somente entre os negros, mas todos que valorizam a equidade.

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Atlanta me reservou outra experiência linda, uma festa Africana – “Spread love, Felabration – Sixth Annual Tribute to Warrior Poet & King of Afrobeat” (Espalhe Amor –  uma homenagem ao poeta guerreiro e rei do afrobeat). FelaAnikulapo Kuti foi um músico nigeriano que usou sua arte para conscientizar seu povo sobre seus direitos e denunciar os abusos do governo da época.  Fela também fortaleceu sua afro identidade quando estava fora do país. Educado em Londres e com turnê nos Estados Unidos, ele foi influenciado pelas ideias de Dr. King, Malcolm X, Black Power movement e o partido Black Panther. Tem um documentário sobre ele, mas só encontrei em inglês: Documentary: Fela Kuti, music is the a weapon.

Felabration foi descrita pelo colega de Malawi, Steven Kapoloma, como “incrível”, o melhor evento social que já tivemos em USA. Para mim, foi mais que uma festa, foi uma manifestação da diversidade Africana dentro da sociedade Americana, forte e consciente. Esse sentimento de irmandade foi fundamental para eu me encontrar e também para fortalecer a minha luta por igualdade e respeito pela nossa historia, não importa onde estiver.

Meu muito obrigada a ‪Eboni Lemon@Kiratiana,  Shauna Stuart que tornaram possível eu ve este lado de Atlanta e também a  John Crooms and Carlos Bell que cederam suas fotografias para este post.

Mais fotos:

John Crooms Photograhpy:

http://jcroomsphotoblog.blogspot.com/2013/10/photoblog-spread-love-felabration-with.html

Carlos Bell Photography:

https://www.facebook.com/carlos.bell.944/media_set?set=a.10153431981670647.1073741843.740495646&type=3

Informações (em inglês):

http://www.atlanta.net/civilrights/attractionsSites.html

http://www.georgiaencyclopedia.org/articles/counties-cities-neighborhoods/atlanta

http://www.atlantahighered.org/civilrights/atlantasstory.asp

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